MANIFESTO DE MANILLA

(Chamando toda a Igreja para levar o Evangelho a todo o mundo)

INTRODUÇÃO
Em julho de 1974 celebrou-se, em Lausanne (Suíça), o Congresso Internacional de Evangelização Mundial e se proclamou o Pacto de Lausanne. Agora, em julho de 1989, mais de 3000 pessoas de 170 países, reuniram-se em Manila com o mesmo propósito e proclamaram o Manifesto de Manila. Agradecemos as boas vindas que recebemos dos nossos irmãos filipinos.
Durante os 5 anos entre os congressos, foram celebrados alguns congressos menores com temas como o Evangelho e a Cultura, a Evangelização e a Responsabilidade Social, um Estilo de Vida Simples, e o Espírito Santo e a Conversão. Estas reuniões e suas informações têm ajudado a desenvolver o pensamento do movimento de Lausanne.
Um “manifesto” se define como uma declaração pública de convicções, intenções e motivações. O manifesto de Manila toma os temas dos congressos: “Proclamar a Cristo até que Ele volte” e “Chamando toda a Igreja para levar o Evangelho à todo o mundo.” Sua primeira parte é uma série de afirmações curtas. Sua segunda parte as elabora em doze sessões, que apresentamos as Igrejas para que, junto com o Pacto de Lausanne, sejam estudadas e levadas à prática.

VINTE E UMA AFIRMAÇÕES

1. Afirmamos renovado nosso compromisso com o Pacto de Lausanne como base para nossa cooperação com o movimento de Lausanne.

2. Afirmamos que nas Sagradas Escrituras, nos dois testamentos, o Antigo e o Novo, Deus nos tem dado uma revelação imperativa do Seu caráter e vontade, de Suas obras redentoras e seus significados, e Seu mandato para a missão.

3. Afirmamos que o Evangelho Bíblico é a mensagem permanente de Deus para nosso mundo, e nos comprometemos a defendê-lo, proclamá-lo e vivê-lo.

4. Afirmamos que os seres humanos, ainda que criados a imagem de Deus, são pecadores e culpados, perdidos sem Cristo, e que essa verdade é preliminar na compreensão do Evangelho.

5. Afirmamos que o Jesus da história e o Cristo da glória são uma mesma pessoa, e que este Jesus Cristo é absolutamente único, posto que só Ele é o Deus encarnado, Ele carregou nossos pecados, conquistou a morte e voltará como juiz.

6. Afirmamos que na cruz, Jesus Cristo tomou nosso lugar, levou nossos pecados, sofreu a morte que nos era merecida morrer, e que unicamente por essa razão, Deus perdoa gratuitamente aqueles que são levados ao arrependimento pela fé.

7. Afirmamos que as demais religiões e ideologias não são caminhos alternativos para chegar a Deus, e que a espiritualidade humana, se não estiver redimida por Cristo, não conduz a Deus se não ao juízo, já que Cristo é o único caminho.

8. Afirmamos que devemos mostrar o amor de Deus de maneira visível, atendendo aos que estão privados de justiça, dignidade, alimento e vestimenta.

9. Afirmamos que a proclamação do Reino de Deus de toda justiça e paz, exige a denúncia de toda injustiça e opressão, tanto pessoal como estrutural. Não evitaremos esse testemunho profético.

10. Afirmamos que o testemunho que o Espírito Santo dá a respeito de Cristo é indispensável para a evangelização e que, sem sua obra sobrenatural, não são possíveis, nem o novo nascimento, nem a vida nova.

11. Afirmamos que a luta espiritual requer armas espirituais, que devemos pregar a Palavra no Poder do Espírito, e orar sem cessar para que possamos participar da vitória de Cristo sobre os principados e potestades do mal.

12. Afirmamos que Deus tem encomendado a toda a Igreja e a cada um de seus membros a tarefa de fazer Cristo conhecido em todo o mundo: nosso anelo é que todos, sejam leigos ou ministros, estejam mobilizados e capacitados para essa tarefa.

13. Afirmamos que os que dizem ser membros do Corpo de Cristo devem superar as barreiras de raça, sexo e classe social dentro da nossa comunidade.

14. Afirmamos que os dons do Espírito Santo são repartidos para todo o povo de Deus, tanto para as mulheres como aos homens, e que se deve promover a participação de todos na evangelização para o bem comum.

15. Afirmamos que, nós que proclamamos o Evangelho, devemos exemplificá-lo vivendo uma vida de santidade e de amor: se não for assim, nosso testemunho perde sua credibilidade.

16. Afirmamos que toda congregação cristã deve desdobrar-se para estar participante na comunidade em que se encontra inserida através do testemunho evangelístico e do serviço de compaixão.

17. Afirmamos a necessidade urgente de que as Igrejas, agências missionárias e outras instituições colaborem mutuamente na evangelização e ação social, e que repudiem a incompetência e evitem duplicar esforços.

18. Afirmamos que é nosso dever estudar a sociedade na qual vivemos a fim de entender suas estruturas, seus valores e suas necessidades, e desta maneira, desenvolver uma estratégia apropriada para a missão.

19. Afirmamos que a evangelização do mundo é urgente e que é possível alcançar os povos não alcançados. Tomamos a decisão de dar-nos a esta tarefa com vigor renovado durante a última década do século XX.

20. Afirmamos nossa solidariedade com os que sofrem pelo Evangelho, e procuramos nos preparar para a possibilidade de sofrer da mesma maneira. Trabalharemos a favor da liberdade religiosa e política em todas as partes.

21. Afirmamos que Deus está chamando toda a Igreja para levar o Evangelho a todo o mundo. Comprometemo-nos, portanto, a proclamá-lo com fidelidade, urgência e sacrifício até que Cristo regresse.

A. TODO O EVANGELHO
O Evangelho é a boa nova da salvação que Deus tem provido para o homem ao livrá-lo dos poderes do mal. É, portanto, a instauração do Seu Reino eterno e de Sua vitória final sobre tudo que se oponha aos Seus propósitos. Em seu amor, Deus se propôs efetuar esta salvação antes que o mundo fosse criado, e levou a diante seu plano por meio da morte do nosso Senhor Jesus Cristo, em quem há liberação do pecado, da morte e do juízo. É Cristo quem nos faz livres e nos une ao nos incorporar na comunidade dos redimidos por Ele.

1. A urgente salvação humana
Já que nos encontramos comprometidos em pregar o Evangelho total, isto é, o Evangelho bíblico em toda sua plenitude, logicamente devemos entender porque os seres humanos o necessitam.
Os homens e mulheres têm uma dignidade e um valor intrínsecos por terem sido criados à imagem de Deus, para conhecê-Lo, amá-Lo e serví-Lo. Sem dúvida, por conseqüência do pecado, cada aspecto da sua humanidade tem sido distorcido. Os seres humanos têm se tornado rebeldes e egocêntricos, servem a si mesmos e não amam a Deus nem ao seu próximo como deveriam fazê-lo. Em vez disto, estão alienados, tanto do seu Criador como do resto da criação, o que é a causa da fundamental da dor, da desorientação e solidão que faz tanta gente sofrer hoje em dia. Muitas vezes, o pecado se manifesta sob as formas de conduta anti-social, exploração violenta dos demais, e de um desgaste dos recursos da terra, da qual Deus tem feito homens e mulheres mordomos. A humanidade se encontra culpável e sem desculpa e seguem um caminho que conduz a destruição.
Mesmo com a imagem de Deus corrompida, os seres humanos ainda são capazes de reconciliarem-se uns com ou outros em amor, de realizar ações nobres e criar lindas obras de arte. Pese sobre todos o fato do ser humano, seja qual for, estar marcado pela imperfeição e de nenhuma maneira poder proporcionar por si mesmo o direito de ter acesso a Deus. Cada indivíduo é por sua vez um ser espiritual. As técnicas de auto-ajuda só podem, no muito, aliviar as necessidades que sentem, sendo incapazes de solucionar os problemas transientes do pecado, da culpa e do juízo. Nem a religião humana, nem a justiça humana, nem os programas sócio-políticos podem salvar alguém. Não existe possibilidade alguma de que o ser humano se salve por si mesmo. Abandonadas em si mesmas, as pessoas estão perdidas para sempre. De modo que repudiamos os falsos evangelhos que neguem a realidade do pecado humano, o juízo divino, a divindade e encarnação de Jesus Cristo e a necessidade da cruz e ressurreição. Da mesma maneira, rejeitamos evangelhos incompletos, os quais não levam a sério o pecado e confundem a graça de Deus com o esforço humano. Confessamos que às vezes, nós mesmos temos revitalizado o Evangelho, mas nos comprometemos a levar em conta, em nossa evangelização, o diagnóstico radical que Deus faz do pecado, e o remédio, igualmente radical que Deus tem providenciado.

2. Boas novas para hoje
Alegramo-nos no fato de que o Deus Vivo não nos abandonou em nossa perdição e falta de esperança. Em Seu amor, Ele veio nos encontrar em Jesus Cristo para nos resgatar e restaurar. Dessa maneira, as boas novas se encontram na pessoa histórica de Jesus, que veio proclamar o Reino de Deus e vivendo uma vida de humilde serviço, morreu por nossos pecados, sendo feito pecado e maldição em nosso lugar. É aquele a quem Deus reivindicou levantando dos mortos. Aos que se arrependem e crêem em Cristo, Deus lhe dá parte na nova criação. Ele nos dá nova vida, a qual inclui o perdão de nossos pecados e a presença e o poder transformador de Seu Espírito. Ele nos dá as boas vindas em Sua nova comunidade, a qual está composta de pessoas de todas as raças, nações e culturas. E Ele promete que um dia nós entraremos em Seu novo mundo, no qual o pecado está abolido, a natureza será redimida e Deus reinará para sempre.
Estas boas novas devem ser proclamadas com valor onde for possível: nas Igrejas e nos auditórios públicos, nos rádios e televisão, e ao ar livre, porque é o poder de Deus para a salvação e estamos na obrigação de fazê-las conhecidas. Em nossa pregação devemos declarar fielmente a verdade que Deus tem revelado na Bíblia e nos esforçarmos em relacioná-la com nosso próprio contexto.
Também afirmamos que a apologética, isto é, “a defesa e confirmação do Evangelho” (Filipenses 1:7), é essencial para a compreensão bíblica da missão e para um testemunho efetivo no mundo moderno. Paulo “discutia” com algumas pessoas a margem das Escrituras, com a visão de “persuadí-los” da verdade do Evangelho. Assim nós devemos fazer. Assim, todos os cristãos devem estar prontos para dar a razão da esperança que há neles (1 Pedro 3:15).
Outra vez temos visto a ênfase de Lucas no Evangelho, como boas novas para os pobres (Lucas 4:18; 6:20; 7:22), e nos temos perguntado o que significa isto para a maioria da população mundial – que são pobres, afligidos ou oprimidos. E temos nos lembrado que a lei, os profetas e os livros de sabedoria, assim como os ensinamentos e ministério de Jesus, todos enfatizam a preocupação de Deus pelos pobres em recursos econômicos e nosso dever de nos interessar por eles e protegê-los.
As Escrituras também se referem aos espiritualmente pobres, que só ao olharem para Deus podem alcançar misericórdia. O Evangelho vem com boas novas para ambas as classes. Os pobres de espírito, que sem se importar com suas circunstâncias econômicas, se humilham ante Deus e recebem por fé o dom gratuito da salvação. Para ninguém há outra maneira de entrar no Reino de Deus. Os materialmente pobres e desprovidos, encontram, contudo, uma nova dignidade como filhos de Deus e o amor dos irmãos e irmãs, que lutam com eles por sua liberação de todos que os degradam e oprimem.
Arrependemo-nos de qualquer descuido da verdade de Deus nas Escrituras e nos comprometemos a proclamá-la e defendê-la. Também nos arrependemos de termos sido indiferentes ao clamor do pobre e por haver mostrado preferência ao rico, e nos comprometemos a seguir a Jesus na pregação das boas novas a toda pessoa, em palavra e obra.

3. A singularidade de Jesus Cristo
Somos chamados para proclamar o Evangelho de Cristo em um mundo cada vez mais pluralista. Há um ressurgimento de religiões antigas e o nascimento de outras novas. No primeiro século também havia “muitos deuses e muitos senhores” (1 Coríntios 8:15). Sem dúvidas, os apóstolos afirmaram valentemente a singularidade, a indispensabilidade e centralidade de Cristo. Nós devemos fazer o mesmo.
Devido ao fato de homens e mulheres terem sido feitos a imagem de Deus e verem na criação evidências do Criador, as religiões que têm surgido contém às vezes alguns elementos de verdade e beleza. Apesar disso, não são evangelhos alternativos. Porque os seres humanos são pecadores e porque o “mundo inteiro está no maligno” (1 João 5:19), também as pessoas religiosas necessitam da redenção provida por Cristo. Por tanto, não temos nenhuma base para dizer que se pode encontrar salvação fora de Cristo e aparte de uma aceitação explícita da sua obra por meio da fé.
Às vezes afirma-se que em virtude do pacto de Deus com Abraão, o povo judeu não tem que conhecer a Jesus como seu Messias. Afirmamos que eles necessitam tanto como qualquer outra pessoa e que seria uma forma de anti-semitismo, além de deslealdade a Cristo. Ele nos separa do padrão neotestamentário que consiste em levar o Evangelho “ao judeu primeiramente…” por tanto, recusamos a tese de que os judeus tenham seu próprio pacto que faz desnecessária a fé em Jesus.
O que nos une são nossas convicções em comum acerca de Jesus Cristo. O confessamos como o Filho de Deus, que se fez plenamente humano e, uma vez que, permaneceu plenamente divino, foi nosso substituo na cruz, levando nossos pecados e morrendo em nosso lugar, trocando sua justiça por nossa injustiça, e levantou vitorioso com um corpo transformado, e voltará em glória para julgar o mundo. Só Ele é o Filho de Deus encarnado, o Salvador, o Senhor e o Juiz. Somente Ele, o Pai e o Espírito Santo, são dignos de adoração, da fé e da obediência de todos. Há somente um Evangelho porque há somente um Cristo. Aquele que por sua morte e ressurreição é o único caminho da salvação. Por tanto, rejeitamos tanto o relativismo, que considera todas as religiões e espiritualidades como caminhos de aproximação a Deus igualmente válidos, como o sincretismo, que procura mesclar a fé em Cristo com outras crenças.
Além disso, assim como Deus exaltou Jesus a um lugar mais alto para que todos O possam reconhecer, é também nosso desejo exaltá-Lo. Motivados pelo amor de Cristo devemos obedecer à grande comissão de Cristo e amar a Suas ovelhas perdidas, mas em especial somos motivados pelo “zelo” do Seu Santo Nome, e anelamos ver que Ele receba a glória e honra que Lhe é devida.
No passado, por vezes fomos culpados de adotar atitudes de ignorância, arrogância, falta de respeito e até de hostilidade aos adeptos de outras religiões. Arrependemo-nos de havê-lo feito. Sem dúvidas, determinamos levar até o fim um testemunho positivo e sem conceções da singularidade do nosso Senhor na Sua vida, morte e ressurreição, em todos os aspectos de nosso trabalho evangelístico, incluindo o diálogo com seguidores de outros credos.

4. O Evangelho e a responsabilidade social
O Evangelho autêntico deve chegar a ser visível nas vidas transformadas de homens e mulheres. Ao proclamar o amor de Deus, devemos estar involucrados em um serviço amoroso, ao pregar o Reino de Deus, devemos estar consagrados às suas demandas de justiça e paz.
A evangelização é primordial porque nossa maior preocupação é a difusão do Evangelho, para que todas as pessoas possam ter a oportunidade de aceitar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Sem dúvidas, Jesus não somente proclamava o Reino de Deus, mas também, demonstrou sua chegada por meio das obras de misericórdia e poder. Hoje em dia, somos chamados a uma integração similar de palavras e feitos. Em um espírito de humildade devemos pregar e ensinar, ministrar os enfermos, dar de comer aos famintos, cuidar dos presos, ajudar aos menos válidos e desprovidos, e libertar os oprimidos. Ainda que reconheçamos a diversidade dos dons espirituais, das vocações e dos contextos, afirmamos também que as boas novas e as boas obras são inseparáveis.
A proclamação do Reino de Deus demanda necessariamente da denúncia profética de tudo o que não é compatível com Ele. Entre o mal que deploramos, está a violência destrutiva, incluindo a instutionalizada, a corrupção política, todas as formas de exploração de pessoas e da terra, as forças que acabam com as famílias, o aborto livre, o tráfico de drogas, e a violação dos direitos humanos. Em nossa preocupação com os pobres, nos compete a dívida com dois terços do mundo. Sentimos também as condições ultrajantes e inumanas em que vivem milhares de seres humanos, que levam a imagem de Deus como nós.
Arrependemo-nos porque a estreiteza das nossas preocupações e nossa visão limitada, muitas vezes, nos tem privado de proclamar devidamente o senhorio de Jesus Cristo sobre toda a vida, seja privada ou pública, local ou global. Propomo-nos a obedecer a Seu mandamento de “buscar primeiramente o Reino de Deus e Sua justiça.” (Mateus 6:33)

B. TODA A IGREJA

Todo o Evangelho tem que ser proclamado por toda a Igreja. Todo o povo de Deus tem sido chamado a compartilhar a tarefa evangelística. Sem dúvida, sem o Espírito Santo de Deus todos os esforços serão infrutíferos.

5. Deus, o Evangelista
As Escrituras declaram que Deus é o evangelista por excelência. Porque o Espírito de Deus é o Espírito da verdade, amor, santidade, e a evangelização é impossível sem Ele. É Ele quem unge o mensageiro, confirma a Palavra, prepara o ouvinte, convence o pecador e ilumina o cego; dá vida ao morto, nos capacita para o arrependimento e para crer, nos une ao corpo de Cristo e nos assegura que somos filhos de Deus. Em tudo isso a preocupação principal do Espírito Santo é glorificar a Cristo mostrando-O e fomando-O e nós.
Toda evangelização envolve uma batalha espiritual com os principados e potestades do mal, sobre os quais somente as armas espirituais podem prevalecer, especialmente a Palavra e o Espírito de oração. Portanto, temos um chamado a todos os crentes para que sejam diligentes em suas orações, tanto pela renovação da Igreja como pela evangelização do mundo.
Toda verdadeira conversão implica num encontro. Nela a autoridade superior de Jesus Cristo se faz manifesta. Não há maior milagre que este: que o crente seja liberado das ataduras de Satanás e do pecado, do medo e futilidade, da escuridão e da morte.
Mas os milagres de Jesus foram especiais, pelos sinais de sua messianidade e da participação do Seu perfeito Reino, quando toda a natureza lhe está sujeita, não temos a liberdade de colocar limites ao poder do Criador vivente hoje. Rejeitamos tanto o ceticismo que nega os milagres como a presunção que o demanda; tanto a timidez que retrai a plenitude do Espírito Santo, como o triunfalismo que retraia a debilidade na qual se aperfeiçoa o poder de Cristo.
Arrependemo-nos de nossos intentos de evangelizar confiando em nossas próprias forças, e ditar ordens ao Espírito Santo. Determinamos não “entristecer” nem “apagar” o Espírito no futuro, se não, tratar de difundir as boas novas “em poder, no Espírito Santo e com toda convicção” (1 Tessalonicenses 1:5)

6. Os testemunhos humanos
Deus, o evangelista, dá ao Seu povo o privilégio de serem Seus “colaboradores” (2 Coríntios 6:1). Porque ainda que não possamos testificar sem Ele, Ele normalmente escolhe testificar através de nós; Ele só chama alguns para serem evangelistas, missionários, pastores, mas chama toda a sua Igreja e cada um de seus membros a serem suas testemunhas.
A tarefa privilegiada dos pastores e mestres é a de guiar o povo (grego = laos) de Deus com maturidade (Colossenses 1:28) e equipá-los para o ministério (Efésios 4:11,12). Os pastores não devem monopolizar os ministérios, se não multiplicá-los animando outros a usar seus dons e treinando discípulos para fazerem discípulos. O domínio dos laicos pelos pastores tem sido o grande mal na história da Igreja. Priva tanto os laicos como os pastores do papel que Deus lhes tem dado, produzindo sobrecarga a estes, debilitando a Igreja e criando obstáculos ao avanço do Evangelho, além do mais, não é fundamentalmente bíblico. Por tanto, nós, que durante séculos temos insistido no “sacerdócio de todos os crentes”, agora também insistimos no ministério de todos os crentes.
Reconhecemos com grande agradecimento que as crianças e jovens enriquecem a adoração e a extensão da Igreja com seu entusiasmo e sua fé. Necessitamos treiná-los em discipulado e em evangelização para que alcancem sua própria geração para Cristo.
Deus criou o homem e a mulher, e ambos são portadores de sua imagem (Gênises 1:26-27): Ele os aceita de igual maneira em Cristo (Gálatas 3:28) e derramou Seu Espírito sobre toda a carne, tanto filhos como filhas (Atos 2:17-18). Além disso, já que o Espírito distribui seus dons, as mulheres da mesma maneira que aos homens, elas devem ter oportunidades para exercer seus dons. Celebramos seu distinto papel na história das missões. Estamos convencidos de que Deus chama mulheres hoje para um papel similar. Ainda que não estejamos totalmente de acordo quanto à forma que sua liderança deve ter, estamos de acordo que Deus deseja que homens e mulheres desfrutem de uma cooperação na evangelização mundial. É necessário, por conseguinte, uma formação adequada para o alcance de uns e outros.
O testemunho dos leigos, homens e mulheres, não tem lugar só na da Igreja local (ver seção 8), já que são chamados a participar da obra de testificar através de amizades, no lar e no templo.
Nossa primeira responsabilidade é a de testificar aos nossos amigos, parentes, vizinhos e colegas. A evangelização que tem o lar como ponto de partida é também natural, tanto para os casados como para os solteiros. Um lar cristão não só deverá mostrar as normas de Deus para o casamento, o sexo e a família, e oferecer as pessoas feridas um ambiente de amor e paz, além disso, deve ser também um lugar de prazer para os vizinhos que normalmente não visitariam uma Igreja Evangélica, e isto ainda quando não se fale do Evangelho.
Outro contexto para o testemunho leigo é um lugar de trabalho, porque é ali onde a maioria dos cristãos passa a metade das horas de cada dia, e porque o trabalho é uma vocação divina. Os cristãos podem oferecer louvores a Cristo por suas palavras, pelo trabalho eficaz, por sua integridade e consideração aos demais, por sua busca pela justiça no lugar de trabalho. Este testemunho cobra eficácia especial, se é que os demais podem perceber que sua qualidade de trabalho diário se faz para a glória de Deus.
Arrependemo-nos pelas vezes que desanimamos os leigos de seu ministério, em especial o ministério das mulheres e dos jovens. Comprometemo-nos de aqui em diante, estimular todos os seguidores de Cristo a ocupar o lugar de testemunhas de Cristo e lhe corresponder de maneira justa e natural. A verdadeira evangelização procede do estourar de um coração apaixonado por Cristo. Por isso, corresponde a todo seu povo sem exceção.

7. A integridade dos testemunhos
Não há nada que respalde o Evangelho com maior eloqüência do que uma vida transformada, nem nada que o desacredite tanto do que uma vida inconseqüente com o mesmo. Tem-nos sido ordenado um comportamento de maneira digna do Evangelho de Cristo, e ainda, adorná-Lo ressaltando sua beleza por meio de vidas curadas. Porque o mundo que nos observa busca evidências que apoiem as declarações que os discípulos de Cristo fazem a favor do Senhor.
Nossa proclamação de que Cristo morreu para nos levar a Deus atraí muitas pessoas sedentas espiritualmente, mas que não irão crer que nós mesmos conhecemos ao Deus vivo, pela falta de evidências ou porque nossa adoração pública carece de realidade e vivência.
Nossa mensagem de que Cristo reconcilia os homens entre si requer autenticidade e só se percebe se nós nos amarmos e perdoamos mutuamente, se servimos aos outros com humildade e nos estendemos além da nossa própria comunidade no ministério compassivo e desprendido em favor dos necessitados.
Nosso desafio aos demais é que neguem a si mesmos, tomem sua cruz e sigam a Cristo. Isso só terá crédito se nós mesmos tivermos nossas ambições egoístas, a falta de integridade e a cobiça claramente mortas, e vivermos uma vida de simplicidade, contentamento e generosidade.
Lamentamos os fracassos que vemos na vida cristã, tanto nos crentes como nas Igrejas: cobiça material, orgulhos profissional e rivalidade, competição no serviço cristão, ciúmes dos líderes de jovens, paternalismo missionário, falta de responsabilidade mútua, perda das normas cristãs de sexualidade, e a discriminação racial, social e sexual. Tudo isso é sistema, o qual permite que a cultura prevalecente transforme a Igreja quando esta é quem deveria desafiar e transformar a cultura. Estamos profundamente envergonhados das vezes que, como indivíduos e comunidades cristãs, temos confessado a Cristo com palavras, mas negado com nossas atitudes. Nossa falta de integridade acaba com a credibilidade do nosso testemunho. Reconhecemos nossas lutas e fracassos contínuos. Mas também, pela graça de Deus, nos comprometemos a desenvolver a integridade em nós e na Igreja.

8. A Igreja local
Toda congregação cristã é uma expressão local do corpo de Cristo e tem as mesmas responsabilidades. É tanto um “sacerdócio santo” para oferecer a Deus os sacrifícios espirituais de adoração, como também “uma nação santa” para anunciar suas excelências mediante ao testemunho (1 Pedro 2:5,9). A Igreja é então uma comunidade que adora e uma comunidade que testifica, reunida e espalhada, chamada e enviada. A adoração e o testemunho são inseparáveis.
Cremos que a Igreja local tem a responsabilidade primordial de estender o Evangelho. As Escrituras sugerem isto na progressão de “nosso Evangelho chegou a vós” e logo “partiu de vós” (1 Tessalonicenses 1:5,8). Desta maneira. O Evangelho cria a Igreja que estende o Evangelho, a qual cria mais Igrejas em uma incrível reação em cadeia. Mas ainda, o que as Escrituras ensinam, a estratégia o confirma. Cada Igreja local deve evangelizar o distrito em que está localizada, e tem os recursos pra fazê-lo.
Aconselhamos a cada congregação levar a diante estudos não só da sua própria membresia e programa, mas também de sua comunidade local e de todas as suas características, a fim de desenvolver estratégias apropriadas para a missão. Seus membros podem decidir organizar a visitação de todo o bairro, penetrar em algum lugar particular onde as pessoas se reúnam, organizar séries de reuniões evangelísticas, conferências ou concertos, trabalhar com os pobres para transformar uma área local marginalizada, ou estabelecer uma nova Igreja em um distrito numa localidade vizinha. Ao mesmo tempo, não se deve esquecer a tarefa global da Igreja. Uma Igreja que envia missionários não deve descuidar da sua própria localidade, e uma Igreja que evangeliza sua vizinhança não deve ignorar o resto do mundo.
Em tudo isso cada congregação e cada denominação devem, desde onde seja possível, trabalhar com outras, procurando converter qualquer espírito de competição em um de cooperação. As Igrejas também devem trabalhar com organizações para-eclesiásticas especialmente na evangelização, e no ensino e serviço comunitário, porque tais agências são parte do corpo de Cristo e tem uma valiosa experiência e especialização que as Igrejas podem se beneficiar grandemente.
A Igreja tem sido concebida por Deus para ser um sinal do Seu Reino, isto é, uma indicação de como é uma comunidade quando está abaixo do Seu governo de justiça e paz. Assim como nos indivíduos, também nas Igrejas, o Evangelho tem que ser vivido além de ser comunicado efetivamente. É através de nosso amor mutuo que o Deus invisível se revela mesmo hoje (1 João 4:12), especialmente quando nosso companheirismo se expressa em grupos pequenos, e quando transcende as barreiras de raça, nível social, sexo e idade que divide as outras comunidade.
Lamentamos profundamente que muitas de nossas congregações só tenham olhos para si mesmas, são organizadas para seu sustento mais que para a missão, ou preocupadas com atividades centradas na própria Igreja e custos de um bom testemunho. Determinamos voltar nossas Igrejas de dentro para fora, de um modo que possam envolver-se um uma expansão contínua, para que o Senhor lhe acrescente diariamente aqueles que têm de ser salvos (Atos 2:47).

9. A cooperação na evangelização
A evangelização e a unidade estão diretamente relacionadas ao Novo Testamento. Jesus pediu que a unidade de seu povo refletisse sua própria unidade com o Pai (João 17:20,21), e Paulo exortou aos Filipenses a “combater unanimemente pela causa do Evangelho” (Filipenses 1:27). Em contraste com essa visão bíblica, estamos envergonhados das suspeitas e rivalidades, do dogmatismo em questões secundárias, das lutas pelo poder e da edificação de impérios que arruinaram nosso testemunho evangelístico. Afirmamos que a cooperação na evangelização é insdipensável. Primeiro, porque é a vontade de Deus, mas também porque o Evangelho de reconciliação é desacreditado por nossa falta de unidade, e porque se a tarefa da evangelização do mundo tem de ser, uma vez por todas, bem sucedida, devemos realizá-la juntos. “Cooperação” significa encontrar unidade na diversidade. Envolver pessoas de diferentes temperamentos, dons, vocações e culturas, Igrejas nacionais e agências missionárias, todas as idades e ambos os sexos, em um trabalho conjunto.
Estamos decididos a deixar para trás de uma vez por todas, com os restos de nosso passado colonial, a distinção simplista entre países doadores do primeiro mundo, e os países receptores do terceiro mundo. Porque a grande novidade da nossa era é a globalização. Não somente uma grande maioria de cristãos evangélicos é ocidental, como também o número de missionários do terceiro mundo logo ultrapassará os do ocidente. Cremos que equipes missionárias de composição diversa, mas unidos de mente e coração, constituem um impressionante testemunho da graça de Deus.
Nossa referência a “toda a Igreja” não é uma afirmação presunçosa de que a Igreja universal e a comunidade evangélica sejam sinônimas. Porque reconhecemos que existem muitas Igrejas que não são parte do movimento evangélico. As atitudes evangélicas diante da Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas diferem enormemente. Alguns evangélicos estão orando, falando, estudando as Escrituras e trabalhando com ditas Igrejas. Outros se opõem fortemente a qualquer forma de diálogo ou cooperação com elas. Todos os evangélicos são conscientes de que ainda subsistem entre nós sérias diferenças teológicas. Onde for apropriado, e enquanto a verdade não se veja comprometida, a cooperação pode ser possível em áreas tais como a tradução da Bíblia, o estudo de temas éticos e teológicos contemporâneos, o trabalho social e a ação política. Devemos deixar claro, sem dúvida, que uma evangelização comum requer um compromisso comum de respeito ao Evangelho bíblico.
Alguns de nós somos membros de Igrejas que pertencem ao Conselho Mundial de Igrejas, e cremos que uma participação ativa, mas não crítica de sua obra é nosso dever cristão. Outros, entre nós, não temos nenhuma relação com o Conselho Mundial. Todos nós solicitamos ao Conselho Mundial de Igrejas que se identifique com uma compreensão bíblica e consistente da evangelização.
Confessamos que compartilhamos uma parte da responsabilidade pelo rompimento do corpo de Cristo, o qual constitui um grande obstáculo para a evangelização do mundo. Comprometemo-nos em seguir buscando essa unidade na verdade pela qual Cristo orou. Estamos convencidos de que a forma correta de avançar em uma melhor cooperação é um diálogo franco e paciente, baseado na Bíblia, com todos aqueles que compartilham nossas preocupações. A isso nos comprometemos com alegria.

C. TODO O MUNDO
O Evangelho em sua totalidade tem sido recomendado à toda a Igreja, para que se proclame em todo o mundo. É necessário, então, que compreendamos o mundo a qual somos enviados.

10. O mundo moderno
A evangelização tem lugar em um dado contexto, não em um vazio. O equilíbrio entre Evangelho e contexto tem que se manter cuidadosamente. Devemos entender o contexto, sem deixar que este distorça o Evangelho.
Neste aspecto temos nos preocupado com o impacto da “modernidade”, que é uma cultura mundial emergente, produzida pela industrialização com sua tecnologia e urbanização com sua ordem econômica. Estes fatores combinam-se para criar um ambiente que molda em formas significativas a maneira como vemos nosso mundo. Além disso, o secularismo tem assolado a fé, despojando-a de seu sentido de Deus e do sobrenatural: a urbanização tem desumanizado a vida de muitos, e os meios de comunicação massivos tem contribuído para a desvalorização da verdade e autoridade, substituindo a palavra pela imagem. Em conjunto, essas conseqüências da “modernidade” distorcem a mensagem que muitos pregam e acabam com sua motivação relacionada a missão.
Em 1990 só 9% da população do mundo viviam nas cidades, se calculava que no ano de 2000 mais de 50% viverá nelas. Este movimento faz nas cidades o que se tem chamado de “a maior migração da história humana”: é um desafio para as missões cristãs. Por um lado, a população urbana é muito cosmopolita: as mais distintas nações chegam as nossas portas da cidade. Podemos desenvolver Igrejas globais onde o Evangelho acabe com as barreiras étnicas? Por outro lado, muitos dos que vivem nas cidades são imigrantes pobres receptivos ao Evangelho. Nós crentes seremos capazes de instalar-nos nas comunidades urbanas pobres para servir as pessoas e compartilhar o trabalho para transformar a cidade?
A modernização traz bênçãos e também perigos. Cria vínculos de comunicação e comércio em todo o mundo, abrindo assim caminhos para o Evangelho. Transpassa velhas fronteiras e abre sociedades fechada, tradicionais e autoritárias. Os meios de comunicação cristãos têm uma influência poderosa, tanto na preparação do solo como para semear a semente do Evangelho. As principais emissoras de rádio missionárias comprometeram-se em transmitir a mensagem do Evangelho em todos os idiomas mais falados do mundo antes do ano de 2000.
Confessamos que não temos nos esforçado como deveríamos para entender a modernização. Temos usado métodos e técnicas sem avaliarmos criticamente, e dessa maneira nos temos expostos às formas mundanas de pensar e atuar. Mas temos decidido, daqui em diante, a levar a sério estes desafios e estas oportunidades, resistir às pressões seculares da modernização, relacionar o Senhorio de Cristo com a totalidade da cultura moderna, e assim ocuparmos nossa missão no mundo moderno sem atitudes mundanas.

11. O desafio do ano 2000 em diante
A população do mundo de hoje, por volta dos seis mil milhões. A terça parte confessa a Cristo, ao menos de forma nominal. Do restante, quatro mil milhões, a metade tem ouvido o Evangelho e a outra metade ainda não. A luz destas cifras, avaliamos nossa tarefa evangelística levando em consideração quatro categorias de pessoas. Em primeiro lugar, estão os comprometidos. Compõem uma força potencial para a tarefa missionária. Neste século, esta categoria de crentes cristãos têm se certificado de uns 40 millhões em 1900, a 500 milhões hoje, e na autualidade está crescendo em um ritmo duas vezes mais que qualquer outro grupo religioso.
Em segundo lugar, estão os não comprometidos. Estes fazem uma profissão de fé cristã (são batizados, servem de vez em quando e se identificam como cristãos), mas a idéia de compromisso pessoal com Cristo lhes é algo irreal. Encontram-se em toda classe de Igrejas em todas as partes do mundo. Necessitam urgentemente ser evangelizados.
Em terceiro lugar, estão os não evangelizados. São pessoas com um conhecimento mínimo do Evangelho, mas que não tem tido a oportunidade adequada para responder a ele. Provavelmente estão dentro do alcance de pessoas cristãs que não fazem o esforço de ir à outra rua, caminho, aldeia ou povo para encontrá-los.
Em quarto lugar, estão os não alcançados. Estes são os milhões de pessoas que nunca ouviram que Cristo é o Salvador, e que não estão ao alcance de cristãos do seu próprio povo. Existem, por certo, uns 2000 povos ou grupos nacionais onde ainda não há uma Igreja nativa viva. Ajuda-nos pensar neles como membros de grupos étnicos menores, que se vêem a si mesmos como tendo algo em comum (por exemplo: cultura, idioma, território ou ofício). Os mensageiros que mais eficazmente os poderiam alcançar são os crentes que já pertencem a essa cultura que falam sua língua. Do contrário, teriam que ir mensageiros transculturais do Evangelho, deixando para traz sua própria cultura e abnegadamente identificando-se com aqueles quem anelam alcançar para Cristo.
Na atualidade há uns 12.000 grupos não alcançados dentro dos 2000 agrupamentos maiores. A tarefa não é impossível. Mas atualmente só há 7% da força missionária nesse campo transcultural, enquanto o restante 93% ministra na metade do mundo que já está evangelizada. Para que este equilíbrio seja corrigido, será necessário recolher estrategicamente o pessoal que já está servindo.
Uma triste realidade que afeta a todas as categorias já mencionadas é a inacessibilidade. Muitos países não dão vistos aos “missionários” que não oferecem nenhuma outra profissão ou contribuição. Nossas orações podem transpassar toda barreira, cortina ou porta. A rádio e televisão cristã, cassetes de áudio e vídeo, filmes e literaturas também podem chegar a lugares fechados como outras formas de ministério. Também podem ser “fabricantes de tendas” como o apóstolo Paulo, e ganhar a vida com uma profissão secular. Viajam como homens de negócios, professores universitários, técnicos especializados e professores de idiomas, e aproveitam todas as oportunidades para falar de Jesus Cristo. Não chegam a um país de forma enganosa: seu trabalho legítimo os levará a ele. O que acontece é simplesmente, que o testemunhar, é um comportamento essencial de seu estilo de vida cristã onde quer que estejam.
Envergonhamo-nos profundamente que quase dois milênios depois da morte e ressurreição de Cristo, dois terços da população mundial ainda não O reconhecem como Salvador. Por outro lado, nos assombram as crescentes evidências do poder de Deus ainda nos lugares mais inóspitos da terra.
O ano 2000 será um marco desafiador para muitos. “Nós podemos nos comprometer em evangelizar o mundo durante a última década deste milênio”? Não existe nada mágico com essa data, mas de todos os modos nós deveríamos dar nossos melhores esforços para alcançar essa meta? Cristo nos manda levar o Evangelho a todas as nações. A tarefa é urgente. Estamos decididos a obedecê-Lo com alegria e esperança.

12. Situações difíceis
Jesus disse claramente aos seus seguidores que deveriam esperar oposições. “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros;” (João 15:20). Inclusive lhes disse que deveriam alegrar-se na perseguição (Mateus 5:12), e lembrou-lhes que a condição para produzir o fruto é a morte (João 12:24).
Estas previsões de que o sofrimento cristão é inevitável, e às vezes, produtivo, tem se complicado a cada época, incluindo a nossa. Existiram milhões de mártis. Hoje em dia, a situação segue sendo igual. Esperamos que a “Glasnost” e a “Perestróica” resultem em liberdade completa na União Soviética e outras nações do bloqueio oriental, e que os países islâmicos e hindus se abram mais ao Evangelho. Lamentamos a recente repressão brutal do movimento democrático chinês, e oramos para que não reportem mais sofrimentos aos cristãos. Em geral, contudo, parece que as religiões antigas estão se tornando menos tolerantes, os estrangeiros são menos aceitos, e o mundo menos receptivo ao Evangelho. Ante essa situação, queremos fazer três declarações aos governos que estão reconsiderando sua atitude diante dos crentes cristãos.
Em primeiro lugar, os cristãos são cidadãos leais que buscam o bem estar de sua nação. Oram por seus líderes e pagam seus impostos. Portanto, os que têm confessado a Jesus como Senhor, não podem, por sua vez, dizer Senhor a outras autoridades, mesmo que lhes ordenem fazê-lo, ou a qualquer outra coisa que Deus proíbe, terão que desobedecer. Mas são cidadãos responsáveis. Também contribuem ao bem estar de seu país com a estabilidade de seus casamentos e lares, sua integridade nos negócios, seu trabalho esforçado e sua atividade voluntária ao serviço dos incapacitados e necessitados. Os governos justos não têm porque temer aos cristãos.
Em segundo lugar, os cristãos renunciam aos métodos indignos de evangelismo. Ainda que a natureza da nossa fé requeira compartilhá-la com outros, nossa prática é fazer uma declaração honrada e aberta que deixa em completa liberdade aos ouvintes para que tomem suas próprias decisões. Queremos ser sensíveis à aqueles que têm outras crenças e rejeitamos qualquer método que os faça converter-se por obrigação.
Em terceiro lugar, os cristãos anelam ardentemente a liberdade religiosa para todos, não somente pra eles. Em países onde há predominância de cristãos, os crentes estão à frente dos que oferecem liberdade para as minorias religiosas. Nos países que a predominância não é cristã, por tanto, os cristãos estão pedindo para si, nada mais do que se demanda para outros em circunstâncias similares. A liberdade para “professar, praticar e propagar” a religião, segundo se define na Declaração Universal dos Direitos Humanos, pode e deve, certamente, ser um direito concedido reciprocamente.
Lamentamos grandemente qualquer testemunho indigno dos seguidores de Jesus. Determinamos, em nada ofender desnecessariamente, para que o nome de Cristo seja desonrado. Contudo, a ofensa contra a cruz não podemos evitar. Por causa de Cristo crucificado oramos para que estejamos prontos, pela sua graça, para sofrer e ainda para morrer. O martírio é uma forma de testemunho de Cristo que especialmente tem promessa de honra.

CONCLUSÃO: PROCLAMAR A CRISTO ATÉ QUE ELE VOLTE
“Proclamar a Cristo até que Ele volte”. Este é lema de Lausanne II. Certamente cremos que Cristo veio quando Augusto Cesar era imperador de Roma. Mas um dia, como declaram Suas promessas, Ele voltará em um inimaginável esplendor para estabelecer Seu reino. Por isso, nos manda vigiar e estar preparados. Enquanto isso, o período entre a primeira e segunda vinda deve ser cheio por nós com a obra missionária cristã. Temos sido chamados a ir com o Evangelho até o último da Terra, e como nos foi prometido, o fim dos tempos chegará só quando cumprirmos essa tarefa. Os pedaços da Terra (espaço e tempo) coincidirão. Até o dia que Ele prometeu estar conosco.
A missão cristã é, portanto, uma tarefa urgente. Não sabemos de quanto tempo dispomos para realizá-la. Certamente não temos tempo a perder. E para cumprirmos urgentemente com nossa responsabilidade outros requisitos são necessários, especialmente a unidade (devemos evangelizar juntos) e o sacrifício (devemos calcular e aceitar o custo). Nosso pacto de Lausanne foi “orar, planificar e trabalhar juntos para a evangelização de todo o mundo”. Nosso manifesto de Manila diz que toda a Igreja é chamada para levar o Evangelho a todo o mundo, proclamando a Cristo até que Ele venha, com o imediatismo, unidade e sacrifício que sejam necessários.